Gastrectomia o que é e quando é indicada
Estômago, Gastrite e Câncer Gástrico

Gastrectomia o que é e quando é indicada

Entenda o que é uma gastrectomia, a remoção parcial ou total do estômago, e quando é indicada para tratar câncer, úlceras graves ou obesidade mórbida.

Dr. Thiago TredicciDr. Thiago TredicciCRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626
PublicadoAtualizadoLeitura5 min
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Ao longo de minha trajetória como especialista em doenças do aparelho digestivo, tenho observado que a gastrectomia representa um procedimento indicado no tratamento de diversas condições do sistema gastrointestinal. 

Gastrectomia o que é e quando é indicada é uma dúvida frequente entre meus pacientes no consultório, especialmente quando se deparam com diagnósticos que podem requerer esta intervenção.

Antes de qualquer decisão cirúrgica, é fundamental consultar um médico cirurgião do aparelho digestivo, profissional capacitado para realizar avaliações completas, incluindo análise do histórico médico, exames físicos e complementares para determinar a real necessidade do procedimento.

Reuni neste artigo tudo o que você precisa saber sobre gastrectomia, o que é, indicações e informações importantes sobre o pós-operatório!

O que é a gastrectomia?

A gastrectomia consiste em um procedimento cirúrgico que visa a remoção total ou parcial do estômago.

Em alguns casos, quando necessário, também podem ser removidos órgãos adjacentes como baço e pâncreas, dependendo da extensão e gravidade da condição de base. 

No cotidiano de minha prática clínica, observo que, embora a ideia de remover o estômago cause apreensão inicial, muitos pacientes se surpreendem ao saber que é possível viver sem este órgão, adaptando-se a uma nova realidade alimentar.

Tipos de procedimentos

Existem três modalidades principais de gastrectomia, cada uma com indicações específicas:

  1. Gastrectomia total: Procedimento em que todo o estômago é removido, sendo geralmente indicado para pacientes com tumores extensos. Durante a cirurgia, é feita uma conexão direta entre o esôfago e o intestino delgado.
  2. Gastrectomia parcial/subtotal: Remove apenas uma porção do estômago, geralmente a metade inferior. Esta técnica é frequentemente empregada em casos de tumores localizados ou úlceras crônicas. 71,9% dos procedimentos realizados são gastrectomias subtotais, contra 28,1% de gastrectomias totais.
  3. Gastrectomia vertical: Técnica que consiste na redução do volume estomacal, mantendo sua continuidade anatômica. É frequentemente indicada como opção para tratamento cirúrgico da obesidade.

Gastrectomia o que é e quando é indicada

As indicações para este procedimento são diversas, sendo algumas situações recorrentes:

  • Câncer gástrico: Principal indicação na atualidade. Estudos indicam que o tratamento cirúrgico permanece como a única alternativa para tentativa de cura do câncer gástrico. Vale frisar que a detecção precoce aumenta significativamente as chances de sobrevida.
  • Úlceras refratárias: Casos de úlceras de difícil controle medicamentoso, especialmente aquelas com sangramento recorrente.
  • Obesidade mórbida: Para pacientes com IMC superior a 35 kg/m², conforme diretrizes internacionais da IFSO e ASMBS publicadas em 2018, a gastrectomia vertical pode ser considerada.
  • Outras condições: Inflamações estomacais crônicas, pólipos gástricos múltiplos ou recorrentes, e algumas situações específicas de sangramento gastrointestinal.

Aspectos técnicos e procedimentais

O procedimento cirúrgico pode ser feito por diferentes técnicas. A abordagem convencional (aberta) utiliza uma incisão abdominal para acesso ao estômago. Esse tema é aprofundado no texto "o que é colectomia e quando é indicada".

Entretanto, priorizo técnicas minimamente invasivas como a laparoscópica e a robótica, que proporcionam menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida para meus pacientes.

A cirurgia é realizada sob anestesia geral, com duração média de duas a três horas. No pós-operatório imediato, que geralmente dura de 5 a 7 dias, a reintrodução alimentar é gradual e a reabilitação com auxílio de medicamentos e fisioterapia é fundamental.

Resultados e estatísticas

Dados recentes de minha prática clínica, alinhados com a literatura científica, demonstram resultados encorajadores.

Um estudo com 289 pacientes submetidos à gastrectomia (67% homens, mediana de idade de 65 anos) mostrou uma mortalidade pós-operatória de apenas 2,4%, com morbidade severa em torno de 11%.

Outro estudo conduzido na Colômbia com 743 pacientes revelou que hospitais com alto volume cirúrgico (mais de 26 gastrectomias anuais) apresentam menor mortalidade em 6 meses (HR 0,44; IC 95% 0,27-0,71). 

Estes dados reforçam a importância da experiência do cirurgião e da estrutura hospitalar nos resultados pós-operatórios.

Pós-operatório e qualidade de vida

Após a gastrectomia, os pacientes necessitam adaptar-se a uma nova realidade alimentar, devendo seguir essas orientações:

  • Refeições em porções menores, com maior frequência diária.
  • Suplementação vitamínica específica, principalmente após gastrectomia total.

A reabilitação nutricional é fundamental para garantir boa qualidade de vida pós-operatória

Em casos oncológicos, a sobrevida varia conforme o estadiamento do tumor. Pacientes com diagnóstico precoce podem atingir taxas de sobrevida em cinco anos superiores a 90%, enquanto casos mais avançados apresentam sobrevida de 25,7% a 43,5%.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01

O que é gastrectomia?

É a cirurgia de remoção total ou parcial do estômago. Pode ser feita pela técnica convencional, com incisão abdominal, ou por abordagem minimamente invasiva, conforme o caso.

02

Quais são os tipos de gastrectomia?

A total remove todo o estômago. A parcial ou subtotal retira apenas uma porção, geralmente a metade inferior. A vertical reduz o volume estomacal mantendo a continuidade do órgão, usada no tratamento da obesidade.

03

Quando a gastrectomia é indicada?

A principal indicação atual é o câncer gástrico. Também entram úlceras refratárias, de difícil controle com medicamento, obesidade mórbida em pacientes com IMC acima de 35, inflamações estomacais crônicas e pólipos gástricos múltiplos ou recorrentes.

04

Como fica a alimentação depois da gastrectomia?

O paciente precisa se adaptar a uma nova realidade alimentar: refeições em porções menores e mais frequentes ao longo do dia. Depois da gastrectomia total, a suplementação vitamínica específica passa a ser necessária.

Conclusão

A gastrectomia, apesar de ser um procedimento complexo, representa uma opção terapêutica fundamental para diversas condições, especialmente o câncer gástrico.

Como cirurgião especialista do trato gastrointestinal, enfatizo a importância do diagnóstico precoce e da busca por centros de referência com equipes experientes para melhores resultados.

Sempre oriento meus pacientes que a decisão cirúrgica deve ser cuidadosamente ponderada, considerando riscos e benefícios individualizados.

Referências

Leitura complementar em fontes de referência sobre o tema.

Dr. Thiago Miranda Tredicci
Escrito por

Dr. Thiago Miranda Tredicci

CRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626

Cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista em Goiânia, com mais de 15 anos de experiência em cirurgias de vesícula, refluxo, hérnias e câncer do aparelho digestivo, a maioria por videolaparoscopia. Atende no Órion Business & Health Complex, no Setor Marista.

Gastroenterologista em Goiânia
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