Hemangioma no fígado
Fígado, Vesícula e Câncer Hepatobiliar

Hemangioma no fígado: é perigoso?

Veja quando o achado merece uma investigação mais detalhada e o que muda de um caso para outro no hemangioma no fígado.

Dr. Thiago TredicciDr. Thiago TredicciCRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626
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Quem abre um laudo e encontra a palavra "hemangioma" costuma travar por alguns segundos. A dúvida vem rápido: é tumor? Tem risco de câncer? Precisa tirar?

Na maior parte dos casos, a resposta é bem mais tranquila do que o nome sugere.

O hemangioma no fígado é uma lesão benigna formada por vasos sanguíneos. Muitas pessoas passam anos com ela sem sentir nada. A descoberta acontece porque fizeram uma ultrassonografia, uma tomografia ou uma ressonância por outro motivo. Quando há indicação cirúrgica, a página sobre cirurgia de fígado por videolaparoscopia explica técnica, preparo e recuperação.

O achado, sozinho, não significa que exista uma doença grave. Também não quer dizer que haverá necessidade de cirurgia.

O que o médico precisa avaliar é outra coisa: se a imagem é realmente típica de hemangioma, qual é o tamanho da lesão, se ela está causando algum sintoma e se há alguma condição do fígado que mude a interpretação do exame.

O que significa ter um hemangioma no fígado?

O hemangioma é uma concentração de vasos sanguíneos dentro do fígado.

Pode ser pequeno, com poucos milímetros, ou ter vários centímetros. Algumas pessoas têm apenas um, enquanto outras apresentam mais de uma lesão. O assunto tem texto próprio: nódulo no fígado.

Muitos pacientes descobrem quando o radiologista descreve no exame algo como "lesão compatível com hemangioma" ou "nódulo com características de hemangioma".

Quando a imagem tem esse aspecto típico, o diagnóstico pode ser feito sem precisar retirar tecido do fígado.

O ponto que mais preocupa é a palavra "tumor". Nesse caso, ela não deve ser interpretada como sinônimo de câncer. Sobre isso, vale ler hemangioma no fígado é grave.

O hemangioma é benigno.

Por que o hemangioma aparece?

Muitos pacientes descobrem um hemangioma no fígado e logo pensam: "o que causou?". Na maioria dos casos, não existe uma explicação exata.

A lesão é formada por vasos sanguíneos e não costuma ter relação direta com alimentação, álcool, gordura no fígado ou inflamações anteriores.

Também não é considerada, na maior parte das vezes, uma condição hereditária.

Ela aparece com mais frequência em mulheres adultas. Os hormônios podem influenciar o crescimento de alguns hemangiomas, mas não são apontados como causa única do problema.

Hemangioma no fígado dá sintomas?

Na maioria das vezes, não dá. Esse é um dos motivos pelos quais o achado é inesperado.

A pessoa faz um ultrassom por causa de uma pedra na vesícula, por dor abdominal ou até durante um check-up e descobre o hemangioma sem nunca ter sentido nada relacionado a ele.

Quando a lesão é maior, alguns pacientes podem apresentar:

  • Incômodo no lado direito do abdômen;
  • Sensação de peso;
  • Pressão na parte superior da barriga;
  • Náusea;
  • Sensação de saciedade depois de comer pouco.

Só que existe um detalhe que faz muita diferença.

Encontrar um hemangioma e sentir dor não significa, automaticamente, que a dor venha dele.

Problemas na vesícula, no estômago, no intestino ou até na musculatura da região podem causar sintomas parecidos.

Antes de pensar em tratamento, é preciso saber se o hemangioma realmente tem relação com o que o paciente está sentindo.

Hemangioma no fígado é perigoso?

Na grande maioria dos casos, não.

Quando a imagem é típica, não há sintomas e o fígado não apresenta outra doença relevante, o hemangioma tem um comportamento tranquilo.

Ele não produz metástases e não se espalha para outros órgãos.

O tamanho chama atenção no laudo, principalmente quando aparecem medidas de vários centímetros, mas o número não deve ser analisado sozinho.

Uma lesão grande pode permanecer estável durante anos e não incomodar o paciente.

Outra, dependendo da localização, pode pressionar estruturas próximas e passar a causar sintomas.

É por isso que a decisão não pode ser tomada apenas com base na medida escrita no exame.

O que é um hemangioma gigante?

Você pode encontrar esse termo em laudos, artigos e pesquisas na internet.

Não há uma única medida usada em todos os trabalhos. Muitos consideram gigante o hemangioma acima de 5 cm, enquanto outros usam valores maiores.

Para quem recebeu o diagnóstico, o mais útil é olhar para o conjunto:

  1. O tamanho mudou?
  2. Há sintomas?
  3. A imagem deixa alguma dúvida?
  4. A lesão está pressionando alguma estrutura?
  5. Existe outro problema no fígado?

Essas respostas dizem mais sobre a conduta do que a palavra "gigante" isoladamente.

Hemangioma pode romper?

Pode, mas essa situação é rara.

Quem pesquisa sobre hemangioma acaba encontrando relatos de ruptura e sangramento, o que pode gerar bastante medo, mas não representa o que acontece com a maioria dos pacientes.

Os casos de ruptura espontânea aparecem principalmente ligados a lesões muito volumosas.

Uma pessoa com hemangioma pequeno, descoberto por acaso e sem sintomas não deve partir do princípio de que corre um risco alto de hemorragia.

Dor abdominal súbita e muito forte, associada a desmaio, tontura intensa, fraqueza ou queda da pressão, exige avaliação de urgência.

Esses sinais também podem ocorrer em vários outros problemas abdominais.

Como saber se o nódulo é realmente um hemangioma?

A ultrassonografia é o exame que encontra a lesão pela primeira vez.

Em muitos casos, o aspecto já é bastante sugestivo.

Quando ainda existe dúvida, o médico pode pedir uma tomografia ou uma ressonância com contraste.

Esses exames conseguem mostrar como a lesão recebe o contraste ao longo das imagens.

O hemangioma apresenta um comportamento característico, o que ajuda a diferenciá-lo de outros nódulos hepáticos.

Não existe uma regra dizendo que todo mundo precisa fazer ultrassom, tomografia e ressonância.

Se um exame já esclareceu bem o diagnóstico, repetir métodos sem necessidade pode não acrescentar nada.

Hemangioma no fígado precisa de biópsia?

Quase nunca.

Esse é um ponto que merece atenção porque o hemangioma é uma lesão vascular, onde introduzir uma agulha nesse tipo de nódulo pode aumentar o risco de sangramento.

Quando os exames mostram características típicas, a biópsia não deve ser usada apenas para confirmar o diagnóstico.

Se a imagem não estiver clara, o médico pode pedir outro exame, revisar as imagens anteriores ou discutir o caso antes de pensar em qualquer procedimento invasivo.

É preciso repetir exames todos os anos?

Não obrigatoriamente.

Muitas pessoas acreditam que, depois de descobrir um hemangioma, terão que fazer ultrassom para sempre, mas isso não vale para todos.

Quando o diagnóstico está seguro, a lesão é típica e o paciente não apresenta uma doença hepática que exija outro tipo de controle, pode não haver necessidade de acompanhamento periódico.

O cenário muda quando surge alguma dúvida.

Novos exames podem ser indicados quando há:

  • Alteração do tamanho;
  • Sintomas que ainda não foram explicados;
  • Imagem pouco característica;
  • Cirrose;
  • Hepatite B com necessidade de vigilância;
  • Outra doença importante do fígado.

O histórico do paciente pesa bastante nessa decisão.

Quando o hemangioma precisa de tratamento?

Ter um hemangioma não significa ter que tratar. Essa é uma das mensagens mais importantes para quem acabou de receber o diagnóstico.

A maioria das lesões não exige nenhuma intervenção.

O tratamento começa a ser discutido quando existe um motivo concreto, como sintomas importantes ligados ao hemangioma, compressão de estruturas próximas, sangramento ou dificuldade persistente para definir o diagnóstico.

Crescimento relevante também pode levar a uma nova avaliação, principalmente quando vem acompanhado de sintomas ou de outras alterações.

Mesmo nessas situações, a decisão é individual.

Antes de propor cirurgia para um paciente com dor abdominal, o médico precisa ter uma boa razão para acreditar que o hemangioma é realmente o responsável pelo sintoma.

Como é feita a cirurgia para retirar o hemangioma?

Quando a cirurgia é indicada, o planejamento depende muito da localização.

Não basta olhar para o tamanho.

Uma lesão próxima de vasos importantes pode exigir uma estratégia diferente de outra localizada em uma área mais favorável.

Em alguns pacientes, é possível fazer a enucleação, que consiste em separar o hemangioma do tecido do fígado, procurando preservar ao máximo a parte saudável.

Em outros casos, pode ser necessário retirar um segmento do fígado junto com a lesão.

Essa decisão vem da análise das imagens e da anatomia de cada paciente.

Por isso, duas pessoas com hemangiomas do mesmo tamanho podem receber propostas de tratamento diferentes.

Existem tratamentos sem cirurgia?

Existem, mas não são usados de rotina em todo hemangioma.

A embolização arterial é uma das possibilidades.

Nesse procedimento, o médico acessa os vasos sanguíneos por um cateter e reduz o fluxo de sangue que chega à lesão.

Ela pode ser utilizada em situações específicas, inclusive como parte do tratamento de complicações ou do planejamento de alguns casos cirúrgicos.

Também existem técnicas de ablação utilizadas em pacientes selecionados.

Nada disso muda um ponto central: quem tem um hemangioma típico, pequeno e sem sintomas geralmente não precisa passar por nenhum desses procedimentos.

Quando procurar avaliação médica?

Se o exame encontrou um hemangioma com aspecto típico, isso não significa que exista urgência.

A consulta ajuda principalmente a colocar o laudo dentro do contexto.

O médico pode comparar o resultado atual com exames antigos, avaliar se a lesão realmente explica algum sintoma e verificar se existe necessidade de investigar mais.

Vale levar todos os exames anteriores que estiverem disponíveis.

Às vezes, o paciente chega preocupado porque descobriu um hemangioma de 4 cm e, ao comparar com uma imagem de anos atrás, percebe-se que ele já estava lá praticamente igual.

Essa informação muda bastante a interpretação.

Em Goiânia, o Dr. Thiago Tredicci atua em cirurgia do aparelho digestivo e pode avaliar pacientes que receberam diagnóstico de hemangioma hepático, apresentam sintomas, têm exames de imagem ou receberam indicação de tratamento.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01

Hemangioma no fígado pode virar câncer?

Não há evidência de que um hemangioma típico se transforme em câncer.

02

Hemangioma no fígado pode crescer?

Pode. Algumas lesões aumentam de tamanho, outras permanecem praticamente iguais por muitos anos. O crescimento isolado não significa câncer.

03

Quem tem hemangioma precisa evitar algum alimento?

Não existe uma dieta específica para eliminar ou reduzir o hemangioma.

04

Hemangioma altera os exames do fígado?

Na maioria dos casos, não. Se TGO, TGP ou outros exames estiverem alterados, o médico costuma investigar outras causas.

05

Quem tem hemangioma pode fazer exercícios?

Geralmente, sim. Hemangiomas muito grandes ou situações específicas podem exigir uma orientação individual sobre atividades com maior risco de trauma abdominal.

Referências

Leitura complementar em fontes de referência sobre o tema.

Dr. Thiago Miranda Tredicci
Escrito por

Dr. Thiago Miranda Tredicci

CRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626

Cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista em Goiânia, com mais de 15 anos de experiência em cirurgias de vesícula, refluxo, hérnias e câncer do aparelho digestivo, a maioria por videolaparoscopia. Atende no Órion Business & Health Complex, no Setor Marista.

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