Hérnia umbilical em adulto
Hérnias, Parede Abdominal e Obstrução Intestinal

Hérnia umbilical em adulto: sintomas, riscos e recuperação da cirurgia

No adulto, a hérnia umbilical não fecha sozinha; veja sinais de risco e como é a cirurgia.

Dr. Thiago TredicciDr. Thiago TredicciCRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626
PublicadoAtualizadoLeitura7 min
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Um caroço no umbigo que aparece ao tossir, ao levantar peso ou no fim de um dia em pé, e some ao deitar. Para muita gente ele é só estético e fica anos sem consulta. A hérnia umbilical em adulto é uma abertura no anel do umbigo por onde gordura ou uma alça de intestino se projeta, e, ao contrário da versão infantil, não fecha sozinha. Sobre o atendimento e o tratamento, veja a página de cirurgia de hérnia umbilical em Goiânia.

A prevalência em adultos fica entre 2% e 5%, e ela responde por 6% a 15% de todas as hérnias da parede abdominal, segundo revisões citadas na literatura cirúrgica. É mais comum em mulheres depois de gestações, em pessoas com sobrepeso e em quem faz esforço repetido. O tratamento é cirúrgico, dura menos de uma hora e, na maioria dos casos, tem alta no mesmo dia. O tempo de cicatrização da cirurgia de hérnia segue lógica parecida com o da inguinal.

O que é a hérnia umbilical e por que ela aparece no adulto

O umbigo é uma cicatriz natural, o ponto onde o cordão umbilical atravessava a parede abdominal. Nessa região a parede é mais fina e não tem músculo, só uma camada de tecido fibroso. Quando a pressão dentro do abdômen aumenta de forma repetida, esse ponto cede e forma o anel herniário. Gravidez, ganho de peso, tosse crônica, constipação com esforço, levantamento de peso e acúmulo de líquido no abdômen são as causas que mais pesam.

Na criança, o anel costuma fechar espontaneamente até os quatro anos. No adulto, o tecido já não tem essa capacidade. O que acontece com o tempo é o oposto: o anel aumenta, o conteúdo que passa por ele cresce e a pele por cima afina.

Sintomas: o caroço que vai e volta

O abaulamento no umbigo é o sinal principal. Ele aumenta ao ficar em pé, ao tossir e ao fazer força, e diminui ou desaparece ao deitar, quando o conteúdo volta para dentro. Muitas pessoas não sentem dor, apenas desconforto ou sensação de peso no fim do dia. Quando o conteúdo é uma alça de intestino, pode haver dor em cólica e barulho ao empurrar.

São sinais de encarceramento, quando o conteúdo fica preso no anel:

  • Dor forte e súbita;
  • Caroço que não volta para dentro;
  • Endurecimento do abaulamento;
  • Vermelhidão da pele;
  • Náusea e vômito.

Hérnia umbilical pode estourar?

Não no sentido literal. A pele não se rompe por causa do abaulamento, exceto em hérnias muito grandes e negligenciadas, com pele ulcerada, em pacientes com ascite. O que as pessoas chamam de estourar é o encarceramento. O risco de isso acontecer é maior nas hérnias com anel pequeno e conteúdo grande, porque o gargalo aperta o que passa por ele. Hérnias grandes, com anel largo, prendem menos.

É por isso que o tamanho do caroço não define a urgência. Uma hérnia pequena que já ficou presa uma vez, mesmo que tenha voltado sozinha, tem indicação de operar.

Quando operar a hérnia umbilical

Hérnia com sintomas, hérnia que cresce e hérnia com episódio de encarceramento têm indicação de cirurgia. Hérnia pequena, sem sintomas, pode ser acompanhada, com a ressalva de que a tendência é aumentar. Mulheres que planejam engravidar em breve costumam adiar a correção para depois da gestação, porque a pressão do útero sobre a parede recém-operada aumenta o risco de recidiva. Pacientes com obesidade importante se beneficiam de perder peso antes.

O exame físico confirma o diagnóstico na maioria das vezes, e o ultrassom da parede abdominal ajuda em pacientes com sobrepeso, quando o anel é difícil de sentir. A avaliação e a cirurgia são feitas pelo cirurgião do aparelho digestivo. As técnicas, o preparo e os prazos de recuperação estão detalhados na página sobre cirurgia de hérnia umbilical em Goiânia, do Dr. Thiago Tredicci.

A escolha da técnica é feita na consulta, com o anel medido e os fatores de risco na mesa. Não existe cirurgia padrão para todos: uma mulher de 35 anos com anel de 8 milímetros e um homem de 60 com sobrepeso e anel de 3 centímetros saem do consultório com planos diferentes.

Cirurgia com ou sem tela

Em anéis de até 1 centímetro, em pacientes sem fatores de risco, o fechamento com sutura simples tem bons resultados. Acima disso, a tela de polipropileno se tornou o padrão, porque reduz a recidiva de forma expressiva: séries com a técnica de Mayo e fechamento simples chegaram a 54% de recidiva em hérnias maiores, enquanto o reparo com tela apresenta taxas em torno de 1% em seguimento de longo prazo. A tela pode ser colocada sobre a musculatura, atrás dela ou por dentro do abdômen, por videolaparoscopia.

A videolaparoscopia é reservada para hérnias maiores, incisionais, recidivadas ou múltiplas, e para pacientes obesos, em quem a ferida aberta infecta mais. Na correção simples, a incisão aberta de 2 a 3 centímetros na borda do umbigo é suficiente e a cicatriz fica escondida na dobra.

Recidiva com tela, em bons estudos, fica em torno de 1% a 3%. Sem tela, em anéis maiores, o número passa de 10%.

Recuperação e tempo de repouso

A cirurgia dura de 30 a 45 minutos, com anestesia local e sedação ou raquianestesia, e a alta é no mesmo dia. Caminhar é liberado desde as primeiras horas. Trabalho de escritório em cinco a sete dias, direção em uma semana, esforço físico e carregar peso após três a quatro semanas na sutura simples e quatro a seis semanas com tela. A cinta abdominal é usada por 30 dias nas hérnias maiores, para conforto e proteção da parede.

Inchaço e endurecimento na região do umbigo são normais por algumas semanas e representam a cicatrização e a integração da tela. Seroma, o acúmulo de líquido sob a pele, é comum nas hérnias grandes e costuma reabsorver. Infecção da ferida é a complicação mais frequente e responde a antibiótico. Necrose da pele do umbigo é rara e acontece quando a pele estava muito fina.

Banho é liberado no dia seguinte, com o curativo trocado depois. Pontos internos se absorvem sozinhos; quando há pontos na pele, saem em sete a dez dias no retorno. Febre, vermelhidão que se espalha ou secreção pela ferida são motivos para antecipar a consulta.

Hérnia epigástrica, diástase e incisional: as parentes próximas

A hérnia epigástrica surge na linha média acima do umbigo e segue os mesmos princípios de tratamento. A diástase dos músculos retos, comum depois da gravidez, é a separação da linha média sem anel herniário verdadeiro; ela não estrangula, mas costuma acompanhar a hérnia umbilical e pode ser corrigida no mesmo procedimento quando causa sintomas. A hérnia incisional aparece sobre a cicatriz de uma cirurgia anterior e exige tela, muitas vezes por videolaparoscopia. Quem tem o abaulamento na virilha, e não no umbigo, deve ler sobre a cirurgia de hérnia inguinal em Goiânia, que segue outra lógica de técnica.

Fumar, engordar depois da cirurgia e voltar ao esforço antes do tempo são as três causas mais frequentes de a hérnia voltar. Controlá-las vale mais do que qualquer escolha de tela. E o caroço no umbigo, por menor que seja, merece uma consulta antes de o anel crescer: a cirurgia pequena de hoje evita a cirurgia com tela de amanhã.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01

Por que aparece hérnia umbilical no adulto?

O umbigo é uma cicatriz natural, o ponto por onde passava o cordão umbilical. Ali a parede abdominal é mais fina e não tem músculo, apenas tecido fibroso. Quando a pressão dentro do abdome aumenta de forma sustentada, essa região cede.

02

Hérnia umbilical pode estourar?

Não no sentido literal. A pele não se rompe pelo abaulamento, exceto em hérnias muito grandes e negligenciadas. O que se chama popularmente de estourar é o encarceramento, quando o conteúdo fica preso e não volta para dentro.

03

Quando a hérnia umbilical precisa de cirurgia?

Hérnia com sintomas, que cresce ou que já teve episódio de encarceramento tem indicação cirúrgica. A pequena e sem sintomas pode ser acompanhada, com a ressalva de que a tendência natural é aumentar.

04

A cirurgia de hérnia umbilical usa tela?

Em anéis de até 1 centímetro, em pacientes sem fatores de risco, o fechamento com sutura simples tem bons resultados. Acima disso, a tela de polipropileno virou padrão, porque reduz a recidiva de forma expressiva.

05

Quanto tempo de repouso depois da cirurgia de hérnia umbilical?

A cirurgia dura de 30 a 45 minutos e a alta é no mesmo dia. Caminhar é liberado nas primeiras horas, trabalho de escritório em cinco a sete dias e direção em uma semana. Esforço físico pesado espera mais tempo.

Referências

Leitura complementar em fontes de referência sobre o tema.

Dr. Thiago Miranda Tredicci
Escrito por

Dr. Thiago Miranda Tredicci

CRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626

Cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista em Goiânia, com mais de 15 anos de experiência em cirurgias de vesícula, refluxo, hérnias e câncer do aparelho digestivo, a maioria por videolaparoscopia. Atende no Órion Business & Health Complex, no Setor Marista.

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