A consulta termina e o paciente sai com dois ou três pedidos na mão, alguns nomes que nunca ouviu e uma dúvida: todos são mesmo necessários? A resposta depende do sintoma que levou ao consultório. Os exames de gastro não são uma lista fixa; cada um responde a uma pergunta específica, e saber qual pergunta está por trás de cada pedido ajuda a entender o próprio diagnóstico. Sobre o atendimento e o tratamento, veja a página de gastroenterologista no Setor Marista, em Goiânia.
O gastroenterologista cuida de todo o aparelho digestivo, do esôfago ao ânus, incluindo fígado, vesícula e pâncreas. Para tanta área, os exames se dividem em quatro grupos:
- Os que olham por dentro, como endoscopia e colonoscopia;
- Os que olham por fora, como ultrassom, tomografia e ressonância;
- Os que medem função, como pHmetria, manometria e testes respiratórios;
- Os de laboratório, feitos no sangue e nas fezes.
Exames de gastro que olham por dentro: endoscopia e colonoscopia
A endoscopia digestiva alta é o exame mais pedido da especialidade. Um tubo fino com câmera entra pela boca, sob sedação, e examina esôfago, estômago e duodeno em cerca de dez minutos. Ela diagnostica esofagite, hérnia de hiato, gastrite, úlcera e tumores, e permite biópsias e a pesquisa do H. pylori pelo teste da urease. É pedida para azia frequente, dor na boca do estômago, dificuldade para engolir, anemia sem causa e para qualquer sintoma digestivo persistente depois dos 40 anos. O preparo é jejum de oito horas.
A colonoscopia examina todo o intestino grosso e o final do intestino delgado, também sob sedação, em 20 a 30 minutos. Além de diagnosticar pólipos, diverticulose, doença inflamatória e câncer, ela retira os pólipos no mesmo exame, o que a torna a única forma de rastreamento que previne o câncer colorretal, e não apenas o detecta. As sociedades brasileiras de coloproctologia e de cirurgia oncológica recomendam o início aos 45 anos. O preparo exige dieta sem resíduos na véspera e laxante, e é a parte mais trabalhosa do exame. Sobre isso, vale ler sintomas de diverticulite.
Exames de imagem: ultrassom, tomografia e ressonância
O ultrassom de abdômen é o primeiro exame para vesícula, fígado, pâncreas, baço e rins. Mostra pedras na vesícula, gordura e nódulos no fígado, dilatação das vias biliares e líquido no abdômen. É rápido, sem radiação e sem contraste, e exige jejum de seis a oito horas para a vesícula estar cheia. Sua limitação é o pâncreas, escondido atrás do estômago, e a dependência de quem executa.
A tomografia com contraste vê o que o ultrassom não alcança: pâncreas, retroperitônio, alças intestinais, abscessos e tumores, e é o exame de escolha na dor abdominal aguda de causa incerta, na pancreatite e na diverticulite. Para caracterizar nódulos no fígado, cistos no pâncreas e as vias biliares, com a colangiorressonância, a ressonância magnética é a melhor imagem, e não usa radiação. Já a ecoendoscopia, um ultrassom feito por dentro do estômago, fica reservada para lesões do pâncreas e da parede do tubo digestivo, com punção quando necessário.
Exames de função: pHmetria, manometria e testes respiratórios
Nem toda pergunta se responde com imagem. A pHmetria de 24 horas mede quantas vezes o ácido sobe ao esôfago e por quanto tempo, com um cateter fino pelo nariz ou uma cápsula fixada na endoscopia. É o exame que confirma o refluxo e é obrigatório antes de qualquer cirurgia de refluxo. A manometria esofágica mede a pressão e a coordenação das contrações do esôfago, e diagnostica acalasia e outros distúrbios de motilidade; também define a técnica da fundoplicatura.
Os testes respiratórios usam o ar expirado para detectar gases produzidos por bactérias ou pela fermentação de açúcares. O teste respiratório com ureia detecta o H. pylori sem endoscopia e é o padrão para confirmar a cura depois do tratamento. Os testes com lactose e frutose diagnosticam intolerâncias, e o de lactulose ou glicose investiga o supercrescimento bacteriano do intestino delgado.
Exames de sangue e de fezes
O hemograma detecta anemia, que pode ser o único sinal de um sangramento digestivo lento. Enzimas do fígado, TGO, TGP, gama-GT e fosfatase alcalina, com bilirrubinas e albumina, avaliam a função hepática. Amilase e lipase apontam pancreatite. Sorologias para hepatites B e C e a pesquisa de doença celíaca, com anticorpo antitransglutaminase, entram conforme a suspeita. Já os marcadores tumorais, como CEA e CA 19-9, servem para acompanhar tumores diagnosticados, e não para rastrear.
Nas fezes, o sangue oculto rastreia sangramento invisível; o antígeno fecal detecta o H. pylori; a calprotectina diferencia a doença inflamatória intestinal da síndrome do intestino irritável; a parasitologia e a cultura investigam infecções; e a elastase fecal mede se o pâncreas produz enzimas suficientes.
Como o gastro escolhe quais exames pedir
Azia e queimação levam à endoscopia, e à pHmetria se houver dúvida ou plano de cirurgia. Dor no lado direito após gordura leva ao ultrassom. Sangue nas fezes, mudança do hábito intestinal e idade acima de 45 levam à colonoscopia. Alteração de enzimas do fígado leva às sorologias e à elastografia. Nódulo ou cisto no laudo de um exame leva à ressonância. Nenhum sintoma leva a todos os exames ao mesmo tempo, e um pedido genérico de dez itens costuma dizer mais sobre a pressa da consulta do que sobre o paciente. Em Goiânia, o Dr. Thiago Tredicci, cirurgião do aparelho digestivo, atende em consultório como gastro e organiza a investigação a partir do sintoma; a página de gastroenterologista no Setor Marista, em Goiânia explica como é a consulta e o que levar.
Um detalhe que atrasa diagnósticos: quem vai fazer o teste respiratório de H. pylori ou o antígeno fecal precisa suspender omeprazol e similares por duas semanas antes, ou o resultado sai falso negativo. Antibióticos exigem quatro semanas de intervalo.
Alguns exames têm contraindicações que precisam ser ditas na consulta. Marca-passo antigo ou fragmentos metálicos impedem a ressonância. O contraste da tomografia exige avaliação da função renal. Em pessoas com doença cardíaca grave, a colonoscopia é discutida com o cardiologista. E qualquer exame sob sedação exige acompanhante e jejum.
Sobre a sedação, uma dúvida comum: tanto a endoscopia quanto a colonoscopia são feitas com o paciente dormindo, sem dor e sem lembrança do exame. O desconforto real está no preparo da colonoscopia, e ele dura uma tarde.
Exames de gastro têm prazo de validade curto quando o sintoma muda. Uma colonoscopia normal de cinco anos atrás não dispensa uma nova se apareceu sangue nas fezes hoje.
Levar o pedido com o motivo escrito ajuda: o radiologista e o endoscopista trabalham melhor sabendo qual é a pergunta, e o laudo sai mais útil para quem vai decidir o tratamento.
Exames de gastro pelo convênio e pelo SUS
Endoscopia, colonoscopia, ultrassom, tomografia e exames de sangue têm cobertura pelos planos de saúde quando há indicação clínica, e são oferecidos pelo SUS com filas que variam por região. Exames de função, como pHmetria e manometria, e a ecoendoscopia têm cobertura mais restrita e são feitos em centros especializados. Quem chega à consulta com exames antigos deve levá-los, mesmo que já tenham alguns anos: uma endoscopia de três anos atrás com H. pylori tratado muda a conduta de hoje. O artigo sobre o que perguntar ao gastroenterologista ajuda a aproveitar melhor a consulta.
Exame bom é o que responde a uma pergunta. Antes de fazer qualquer um, vale saber qual pergunta o médico está fazendo, e o que muda no tratamento conforme a resposta.
Perguntas frequentes
01Quais exames o gastroenterologista pede?
Os mais comuns são endoscopia digestiva alta e colonoscopia, que olham por dentro, ultrassom, tomografia e ressonância, que são de imagem, pHmetria e manometria, que medem função, além de exames de sangue e de fezes.
02Como é a endoscopia digestiva alta?
É o exame mais pedido da especialidade. Um tubo fino com câmera entra pela boca, sob sedação, e examina esôfago, estômago e duodeno em cerca de dez minutos. Diagnostica esofagite, hérnia de hiato e gastrite, entre outras condições.
03Para que serve o ultrassom de abdome?
É o primeiro exame para vesícula, fígado, pâncreas, baço e rins. Mostra pedras na vesícula, gordura e nódulos no fígado, dilatação das vias biliares e líquido no abdome. É rápido, não usa radiação e não exige contraste.
04O que a pHmetria mede?
Ela mede quantas vezes o ácido sobe ao esôfago e por quanto tempo, ao longo de 24 horas, por um cateter fino pelo nariz ou uma cápsula fixada durante a endoscopia. É o exame que confirma o refluxo.
05Os exames de gastro são cobertos pelo convênio e pelo SUS?
Endoscopia, colonoscopia, ultrassom, tomografia e exames de sangue têm cobertura pelos planos quando há indicação clínica, e são oferecidos pelo SUS, com filas que variam por região.
Leitura complementar em fontes de referência sobre o tema.
- EndoscopiaMSD Manuals

Dr. Thiago Miranda Tredicci
CRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626
Cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista em Goiânia, com mais de 15 anos de experiência em cirurgias de vesícula, refluxo, hérnias e câncer do aparelho digestivo, a maioria por videolaparoscopia. Atende no Órion Business & Health Complex, no Setor Marista.
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