Refluxo na garganta tem cura?
Refluxo, Esofagite e Câncer de Esôfago

Refluxo na garganta tem cura?

Pigarro, rouquidão e sensação de algo preso na garganta podem estar ligados ao refluxo. Veja quando investigar e saiba se o refluxo na garganta tem cura.

Dr. Thiago TredicciDr. Thiago TredicciCRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626
PublicadoLeitura8 min
WhatsApp

Quem convive com pigarro, rouquidão ou aquela sensação de que existe algo parado na garganta tem uma dúvida bem direta: refluxo na garganta tem cura?

Quando a origem do problema é descoberta, fica mais fácil escolher o tratamento certo, e os sintomas podem diminuir bastante ou até deixar de incomodar.

O ponto é que sensação de bolo na garganta, pigarro, tosse ou irritação nem sempre estão ligados ao refluxo.

Descobrir o que realmente está causando esses sinais evita tratamentos que não vão resolver o problema.

O que é o refluxo laringofaríngeo?

Às vezes, o conteúdo que deveria permanecer no estômago sobe e alcança regiões mais próximas da garganta.

Quando isso acontece e a faringe ou a laringe ficam expostas a esse material, o médico pode investigar a possibilidade de refluxo laringofaríngeo.

Ele não se apresenta exatamente da mesma maneira em todos os pacientes.

Alguns também sentem sintomas mais conhecidos da doença do refluxo gastroesofágico, como:

  • Azia;
  • Queimação atrás do peito;
  • Regurgitação;
  • Gosto ácido ou amargo na boca.

Outros chegam ao consultório falando apenas da garganta.

Essa diferença explica por que alguém pode ter sintomas compatíveis com refluxo laringofaríngeo sem reclamar de queimação no estômago ou no peito.

Quais são os sintomas de refluxo na garganta?

O que mais chama atenção é o desconforto que insiste em voltar.

Entre as queixas possíveis estão:

  • Pigarro frequente;
  • Rouquidão;
  • tosse seca;
  • Sensação de bolo ou algo preso na garganta;
  • Excesso de muco;
  • Irritação na garganta;
  • Necessidade constante de limpar a voz;
  • Alteração da voz, principalmente depois de falar por muito tempo.

Algumas pessoas percebem piora depois das refeições ou ao se deitar. Em outras, não existe uma relação tão clara com a alimentação.

Existe um detalhe que merece atenção: esses sintomas não são exclusivos do refluxo.

Rouquidão, tosse e pigarro também podem aparecer em quadros respiratórios, alergias, rinite, sinusite, uso excessivo da voz, tabagismo e outras alterações da laringe.

É justamente por isso que sentir um desses sintomas não confirma o diagnóstico.

Como saber se o problema realmente é refluxo?

Essa é uma das partes mais delicadas da investigação.

O médico começa ouvindo como os sintomas aparecem, há quanto tempo existem, o que parece piorá-los e se também há azia ou regurgitação.

Dependendo do caso, pode ser necessária uma avaliação da garganta e da laringe.

A videolaringoscopia ajuda a procurar inflamações, lesões nas cordas vocais e outras causas para rouquidão ou desconforto.

Uma laringe avermelhada, porém, não basta para dizer que a pessoa tem refluxo laringofaríngeo. Alterações semelhantes podem aparecer por diferentes motivos.

Quando ainda existe dúvida, principalmente em sintomas persistentes ou que não melhoraram com tratamento, exames que registram os episódios de refluxo podem ser indicados.

A pHmetria e, em situações específicas, a pH-impedanciometria ajudam a avaliar o que está acontecendo ao longo do dia.

A impedanciometria consegue identificar episódios de refluxo mesmo quando o conteúdo não é muito ácido.

A escolha do exame depende da história do paciente e do que já foi investigado.

Por que pigarro e rouquidão nem sempre significam refluxo?

É comum alguém passar meses tomando remédio para o estômago porque começou a pigarrear ou ficou rouco.

Nem sempre essa é a explicação.

Sintomas da garganta podem ter mais de uma origem, como:

  • Rinite e secreção nasal;
  • Sinusite;
  • Asma;
  • Irritação causada pelo cigarro;
  • Exposição frequente a poeira ou outros irritantes;
  • Esforço ou uso excessivo da voz;
  • Sensibilidade aumentada da laringe;
  • Algumas doenças respiratórias.

Às vezes, mais de um problema está presente ao mesmo tempo.

Por essa razão, quando os sintomas aparecem apenas na garganta e não há azia ou regurgitação, atribuir tudo ao refluxo sem investigar outras possibilidades pode levar a tratamentos longos que não resolvem a queixa.

O que pode favorecer o refluxo?

Não existe um único motivo capaz de explicar todos os casos. Alguns fatores podem facilitar episódios de refluxo ou tornar os sintomas mais frequentes.

Entre eles estão ganho de peso, obesidade, refeições muito volumosas e o hábito de deitar pouco depois de comer.

Também podem entrar nessa história:

  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Tabagismo;
  • Refeições grandes perto da hora de dormir;
  • Hérnia de hiato;
  • Determinados medicamentos;
  • Alimentos que desencadeiam sintomas naquela pessoa.

Café, chocolate, tomate, cítricos e comidas gordurosas são frequentemente associados ao refluxo, no entanto, não significa que todos os pacientes precisem retirar tudo da alimentação.

Se um alimento não provoca nenhum sintoma, criar uma dieta cheia de restrições pode não trazer benefício.

O mais útil é observar o próprio padrão: o que foi consumido, quanto foi ingerido, o horário da refeição e quando o desconforto apareceu.

Refluxo na garganta tem cura?

A resposta depende do que está provocando os sintomas.

Há pacientes que ficam sem sintomas depois de tratar o refluxo e ajustar alguns hábitos. Outros apresentam períodos de melhora e novas crises ao longo da vida.

Também existem pessoas que passaram muito tempo tratando o refluxo na garganta e descobrem, durante a investigação, que parte do incômodo vinha de outro problema.

Por isso, falar em cura definitiva para todos não seria correto.

Quando o refluxo realmente participa do quadro, o tratamento pode envolver algumas frentes.

Mudanças nos hábitos

Nem todo paciente precisa mudar a rotina inteira.

Algumas medidas são consideradas quando combinam com o padrão dos sintomas:

  1. Evitar refeições grandes perto da hora de dormir.
  2. Esperar algumas horas antes de se deitar depois de comer.
  3. Reduzir peso quando há excesso de peso.
  4. Evitar tabagismo.
  5. Moderar o consumo de bebidas alcoólicas.
  6. Elevar a cabeceira da cama quando os sintomas noturnos são frequentes.

Comer pequenas quantidades várias vezes ao dia também não é uma regra para todo mundo. A orientação precisa acompanhar a rotina e as necessidades de cada pessoa.

Medicamentos para refluxo na garganta

Medicamentos que reduzem a produção de ácido, como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, podem fazer parte do tratamento.

Eles não devem ser usados automaticamente para qualquer rouquidão, tosse ou pigarro.

Quando a pessoa também apresenta azia e regurgitação, o médico pode considerar um período de tratamento e acompanhar a resposta.

Nos casos em que os sintomas aparecem somente na garganta, sem manifestações típicas de refluxo, pode ser necessário investigar melhor antes de manter medicamentos por períodos prolongados.

A dose e o tempo de uso também não são iguais para todos.

Tomar duas doses por dia durante meses, sem reavaliação, não deve ser tratado como uma fórmula padrão para refluxo laringofaríngeo.

Dependendo do tipo de refluxo identificado, outros medicamentos, como os alginatos, podem ser considerados pelo médico.

Quando a cirurgia entra no tratamento?

A cirurgia de refluxo, ou antirrefluxo, não é indicada apenas porque o paciente tem pigarro, tosse ou rouquidão.

Antes de pensar em uma fundoplicatura ou outro procedimento, é preciso demonstrar que existe refluxo e avaliar se ele realmente tem relação com os sintomas.

Esse cuidado é ainda maior quando a principal queixa está na garganta, já que a resposta dos sintomas extraesofágicos à cirurgia não é tão previsível quanto a melhora da azia e da regurgitação. O assunto tem texto próprio: sintomas do refluxo na garganta.

Nos casos bem indicados, a cirurgia procura reforçar a barreira entre o estômago e o esôfago e reduzir a passagem do conteúdo gástrico.

A decisão leva em conta exames, presença de hérnia de hiato, resposta aos tratamentos anteriores e características individuais do paciente.

Existe remédio caseiro para refluxo na garganta?

Receitas caseiras aparecem com frequência quando alguém pesquisa como aliviar refluxo, pigarro ou queimação.

O problema é tratar essas receitas como se fossem capazes de resolver a causa.

Suco de batata crua, chás e misturas usadas para "neutralizar a acidez" não substituem a investigação nem possuem efeito garantido sobre o refluxo laringofaríngeo.

Beber água ao longo do dia pode ajudar quem sente a garganta seca ou irritada, mas não significa que a água esteja tratando o refluxo.

Se determinado chá não provoca sintomas e faz parte da rotina da pessoa, ele pode ser consumido dentro de uma alimentação habitual, mas não deve ser apresentado como tratamento capaz de curar a doença. Há um guia dedicado a como tratar garganta irritada pelo refluxo.

Quando o desconforto na garganta precisa ser investigado?

Pigarro ou rouquidão ocasionais não significam, por si só, que exista uma doença digestiva.

A avaliação ganha mais relevância quando os sintomas persistem, voltam com frequência ou começam a atrapalhar alimentação, sono, trabalho ou uso da voz.

Alguns sinais pedem uma investigação mais cuidadosa, como:

  • Dificuldade para engolir;
  • Dor ao engolir;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Vômitos persistentes;
  • Sangramento digestivo;
  • Anemia sem causa definida;
  • Sensação de que o alimento fica parado;
  • Rouquidão que não melhora.

Nessas situações, apenas trocar a dieta ou aumentar um medicamento por conta própria pode atrasar a identificação do verdadeiro problema.

Se o tratamento para refluxo já foi tentado e a garganta continua incomodando, também é hora de rever o diagnóstico.

Na presença de algum desses sinais, consultar um gastroenterologista referência em tratamento de refluxo traz mais precisão ao diagnóstico e acesso ao tratamento adequado.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01

Refluxo na garganta tem cura definitiva?

Nem sempre é possível falar em cura definitiva. Muitos pacientes conseguem ficar sem sintomas ou mantê-los bem controlados após identificar e tratar a causa.

02

É possível ter refluxo na garganta sem sentir azia?

Sim. Algumas pessoas apresentam pigarro, tosse ou rouquidão sem azia e regurgitação. Esses sintomas também podem ter outras causas.

03

Pigarro ao acordar significa que tenho refluxo?

Não necessariamente. Rinite, secreção nasal, irritação da garganta e outras condições também podem provocar pigarro pela manhã.

04

Quanto tempo demora para a garganta melhorar?

O tempo varia conforme a causa dos sintomas e o tratamento indicado. Se não houver melhora, o diagnóstico precisa ser revisto em vez de apenas prolongar o medicamento.

05

Refluxo na garganta pode voltar depois do tratamento?

Pode. Ganho de peso, mudanças nos hábitos, hérnia de hiato e outros fatores podem favorecer novos episódios. A recorrência não significa que todo paciente precisará usar medicamento continuamente.

Referências

Leitura complementar em fontes de referência sobre o tema.

Dr. Thiago Miranda Tredicci
Escrito por

Dr. Thiago Miranda Tredicci

CRM-GO 12828 | RQE 8168 e 8626

Cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista em Goiânia, com mais de 15 anos de experiência em cirurgias de vesícula, refluxo, hérnias e câncer do aparelho digestivo, a maioria por videolaparoscopia. Atende no Órion Business & Health Complex, no Setor Marista.

Como é feita a cirurgia de esôfago
Continue lendo

Leia também

Atendimento

Consulta com cirurgião do aparelho digestivo em Goiânia

Dr. Thiago Tredicci atende no Setor Marista, com diagnóstico por endoscopia e exames de imagem e cirurgia por videolaparoscopia quando indicada.

Agendar consulta